Projecto Francesinha Um Projecto de bem comer a norte

17Feb/120

Majára – Luxo para Esquecer

Alegrem-se todos os Portugueses: O Lucho está de volta, o Domingos foi embora e o SL Benfica está a ganhar!! E é claro, o Projecto Francesinha está de volta com mais das suas peripécias. Desta feita, fomos a uma histórica cervejaria numa cidade virada para o mar. Matosinhos é já um destino recorrente do nosso projecto...e o Restaurante Marisqueira Majara foi o escolhido para a nossa visita.

A chegada foi fácil não fosse o nosso alvo um restaurante já com mais de 20 anos de história... a entrada, opulenta, em nada fica a dever ao ambiente da sumptuosa sala de jantar, de pé alto, cozinha em open space, guardanapos e atoalhados de pano e um sem fim de pormenores puramente deliciosos de quem aprecia tais luxos. Aliás, Luxo é uma palavra que ocorre com frequência a quem visita tão ilustre restaurante. Na televisão, um jogo de futebol centra as atenções e sem que déssemos conta, já umas deliciosas torradas tomavam conta do espaço das entradas na nossa mesa. O serviço impecável dos funcionários altamente educados e aprumados, os enormes castiçais que iluminavam a sala e os aquários que na entrada exibem alguns saborosos moluscos prontos a saltar para o prato concentra-nos o tema de conversa antes da atracção principal: é que por esta altura, as naturais francesinhas especiais já estavam há muito pedidas.

O Real Madrid também jogava em casa e por esta altura já chegavam ecos de um golaço do Cristiano Ronaldo e quase que por instinto, as batatas aterram na mesma. Qualidade artesanal superior, como que saídas dum baú do éden batateiro, uma verdadeira delícia...e o FC Porto já marcava por esta altura o segundo golo, pelo colombiano James. As francesinhas vieram rapidamente...cheiravam a marisco e vinham acompanhadas de um sumptuoso camarão. O Projecto Francesinha gosta disso!

Contudo, os amores acabaram por aqui. A francesinha aqui vem recheada com um Lombo Assado cuja combinação com os restantes ingredientes não era do nosso agrado. O molho, muito aguado e com um sabor excessivo a algo extremamente picante (não sabemos se piri-piri forte, malagueta ou outro ingrediente do género) dava muita sede mas pouco sabor à dita cuja. O preço (11.50 euros) reflecte a qualidade do espaço e do serviço em causa, mas é altamente exagerado no que à qualidade da francesinha diz respeito. E se podemos recomendar o Restaurante pela sua qualidade, não o podemos fazer pela sua francesinha...a menos que sejam mesmo fãs do Luxo. Um Abraço a todos os que nos seguem e obrigado a todos pela importante marca que juntos atingimos (3000 fãs no Facebook).

Parâmetros lmatias rpinto hvara dalves TOTAL
Local 8 8 8 7 7.75
Molho 6  5 5 5 5.25
Batatas 7  8 9 8 8.00
Inovação 6  6 6 6 6.00
Ingredientes 6  6 6 6 6.00
Preço 4  5 5 5 4.75
PONTUAÇÃO FINAL 6.17  6.33 6.50 6.17 6.29
CUSTO TOTAL 11,50 €
Filed under: Francesinhas No Comments
4Feb/120

Toca Dos Amigos – Um Pedaço de Portugal

O Frio invadiu a peninsula ibérica. Agasalhos e bebidas quentes recomendam-se a todos mais do que nunca nesta altura do ano. A recomendar, talvez, uma aventura mais caseira. O Projecto Francesinha não concordou e procurou mais uma aventura...nesta já longa jornada que todos vós acompanham. À algumas semanas atrás, recomendaram-nos a Toca dos Amigos em Gulpilhares (Vila Nova de Gaia) como um espaço que aliava o bem estar do pequeno restaurante tradicional e familiar português à boa francesinha. Levando isso em conta, decidimos visitá-lo e ver se esta recomendação tinha razão de ser.

O espaço foi difícil de encontrar. Por entre estradas em obras, desvios intermináveis e mudanças de morada, lá conseguimos encontrar o estabelecimento. Primeiro feedback: tasco! O verdadeiro tasco português: vozes altas sobre conversas do dia a dia, pessoas de meia idade que não vieram para jantar, garrafas de bagaço mais para lá do que para cá, TVs e lareiras para entreter os demais. Afinal de contas, estamos na Toca dos Amigos.

A sala de jantar estava fechada...não esperavam muitas visitas a uma terça-feira. Lá ligaram tudo de propósito para nós. Na televisão, algumas notícias e futebol. O essencial para nos entreter enquanto o forno aquecia para "elas": as óbvias francesinhas com batata e ovo vão ao forno aqui. E assim começa um verdadeiro jantar à lá carte. Entre dois dedos de conversa, lá falamos nas oportunidades de emprego que por essa Europa fora chamam pelos jovens portugueses que, como nós, são recém-licenciados mas não têm em Portugal uma carreira promissora.

E assim como nós, as francesinhas já gritavam "Prontas" de dentro do forno. Em meio nó de palavra, já elas se regalavam na nossa mesa. Quadradas, com queijo a ferver e um molho um pouco aguado. À primeira vista, parecem mais uma francesinha...após a primeira dentada, formulámos melhor a nossa opinião: os ingredientes de qualidade fazem desta uma francesinha diferente. Tosca, pitoresca mas saborosa ao mesmo tempo.

Tinha tudo lá: o ovo no ponto, o bife mal passado mas suculento, a salsicha fresca...enfim! Um sem fim de sabores. A batata frita não era brilhante mas foi feita na hora. E o molho...não sabemos bem o que apontar ao molho...não era brilhante. Mas o conjunto faz uma francesinha que, para quem morar para estes lados, vale a pena experimentar...até pelo preço!! 7e por uma francesinha com batata e ovo desta qualidade já não se vê todos os dias e é de aproveitar! Um abraço a todos vocês e um até já!

Parâmetros lmatias rpinto hvara dalves TOTAL
Local 6 6 6 6 6.00
Molho 5 5 5 6 5.25
Batatas 7 5 7 6 6.25
Inovação 6 5 6 6 5.75
Ingredientes 8 7 8 8 7.75
Preço 8 8 7 7 7.50
PONTUAÇÃO FINAL 6.67 6.00 6.50 6.50 6.42
CUSTO TOTAL 7,00 €
Filed under: Francesinhas No Comments
19Jan/120

Cafe Aviz – Uma Joia de Moço!

Caros compadres, amigos e fiéis seguidores...após mais de um ano de posts sem interrupções de assinalar, o ProjectoFrancesinha recuperou agora dum interregno de descanso bem merecido por alturas do arranque de mais um ano. Regressámos, mais fortes e ainda com mais vontade de continuar este nosso projecto. Certos que iremos alcançar o sucesso, abraçámos mais um desafio lançado por vocês e visitámos uma casa com história no centro do Porto: combatemos o frio e o tédio que assola a baixa, as Galerias Paris e o túnel de Ceuta por esta altura e fomos ao tradicional Café Avis, bem no Coração da cidade invicta.

Suspeito infame na produção de boas francesinhas, o Café Avis é um histórico pelos inúmeros estudantes e estórias que acolheu ao longo de muitos anos em actividade na Invicta. Nós tinhamos de ir lá! Empregados enlaçados, TVs plasma gigantes para criar ambiente. E foi isso que fizemos com os naturais rissóis e os fantásticos finos que a nossa sede rapidamente abraçou. As toalhas de pano, as mesas que mais parecem ilhas, o backstage em alumínio com os empregados prestáveis, na casa dos 50, a falar do Hulk, do Benfica, dos impostos, das meninas que por lá passam e dos que, como eles, já por lá passaram e por esta ou aquela razão, já não lá estão. "Era uma joia de moço!" lá ouvimos por entre os trocos nas bandejas e nos finos que já corriam atrasados para mais uma rodada nas nossas mesas.

A Francesinha foi uma noiva no dia de casamento. Apesar de atrasada, parece que chega sempre no momento certo. E assim foi. Com um ovo caseiro, com batatinhas cortadas à mão e douradas e com aquele aspecto tradicional que a francesinha deve ter. Olhámos e não tivemos dúvidas que não iríamos ter uma desilusão. Os ingredientes não inventavam...salsicha fresca, linguiça, fiambre, mortadela e azeitonas, um bom bife e um molho tradicional à moda do Porto. Sem dúvida, um marco nas Francesinhas do Porto...fiel a si própria. A linguiça podia ser ainda melhor e o molho um pouco mais picante...mas ainda assim, muito boa. O preço acompanha a qualidade do sítio e da Francesinha que, por entre mais uma rodada e três dedos de conversa sobre a vida e outros tantos assuntos, desapareceu dos nossos pratos.

Recomendamos uma visita a todos os aficionados da francesinha e a todos os curiosos que precisem duma definição exacta. O Aviz é mesmo isso...uma jóia de moço! Abraço a todos os nossos fãs e até já 🙂

Parâmetros lmatias rpinto hvara dalves TOTAL
Local 7 7 7 7 7.00
Molho 6  4  5  6  5.25
Batatas 7  6  7  7  6.75
Inovação 7 5  5  6  5.50
Ingredientes 8  8  8  7  7.75
Preço 7  7  6  7  6.75
PONTUAÇÃO FINAL 6.83 6.17 6.44 6.67  6.50
CUSTO TOTAL  7,75
Filed under: Francesinhas No Comments
2Jan/120

Café Brandoense – Ao sabor do Vouguinha

O Porto está envolto de frio e humidade, uma noite de verdadeiro Inverno. O Projecto Francesinha saí à rua. As ruas estão iluminadas e o espírito natalício paira no ar. O lado consumista de alguns revela-se, mas as lojas estão repletas apenas de mirones. Compradores são uma espécie rara e com extinção à vista, dadas as medidas a que o povo esta sujeito.
Nada como uma reunião de amigos para esquecer as maleitas da vida. Melhor ainda se estivermos acompanhados por uma bela Francesinha.

Hoje a carreira do Projecto Francesinha ruma para Sul. Atravessamos a ponte com destino ao concelho de Santa Maria da Feira. Viagem rápida ao sabor das conversas da época. Discutimos as últimas compras de Natal. Até à saída numero 5 da A29, tudo perfeito. Depois começa a verdadeira aventura rodoviária, pelo menos para nós... Tudo é novo, só com ajuda da tecnologia chegamos ao nosso destino. Sem antes entrar numa rua em terra batida, orientados por uma conhecida referência na área de Sistemas de Posicionamento Global.

Para não enganar o melhor mesmo é apanhar 'O Vouguinha' e sair no apeadeiro de Paços de Brandão. Do outro lado da estrada temos o Café Brandoense. Um espaço familiar com aspecto acolhedor. O típico café do centro da vila. Entramos e qual não é o espanto deparamo-nos com um espaço repleto de gente! Temos a nossa mesa reservada, que alivio... Lá nos sentamos.

Entram e saem pessoas. Somos corpos estranhos. Aqui todo o mundo se conhece. Todos se cumprimentam de forma calorosa. Sem menu e sem rodeios é-nos perguntado o que desejamos. Obviamente quatro Francesinhas com ovo e batata frita. Somos questionados sobre o ovo. Cozido ou frito? Mas que raio de pergunta é essa, pensamos nós... Após breve explicação decidimos arriscar. No topo em vez de ovo frito é colocado ovo cozido cortado em pedaços.

Aguardamos alguns minutos e chegam à mesa umas batatinhas... Um travessa bem generosa de batatinha caseira. Foi há muito muito tempo a última vez que nos apresentaram batatas de tal qualidade. Uma delícia. Não há batatinhas como aquelas que são colhidas na terra. Vamos picando.

Ei-las! Aspecto saboroso. Cor e tamanho apresentáveis. O ovo cozinho no topo dá um aspecto pitoresco à Francesinha. Até agora valeu bem a viagem. Começa o festim. Molhamos umas batatas e a combinação é consistente. O molho não deslumbra, boa textura e boa cor. Talvez demasiado liquido e a precisar de um pouco mais de picante. O pão bem torrado é do agrado geral. O queijo envolvente de qualidade média derrete-se sobre as fatias de pão. Avançamos para o interior. Fiambre quanto baste. Um bife bem temperado e saboroso, poderia no entanto ser um pouco mais alto. Encontramos um chouriço bem amanhado, mas pequeno. Mas qual não é o nosso espanto quando encontramos também salsicha 'Frankfurt'. Não combina com o restante ramalhete.
Tudo corria bem e surge esta descoberta. Uma desilusão.

Para quem estiver por perto vale a pena a visita. O atendimento de proximidade e a qualidade das batatas são as mais valias deste local. Pelo preço a pagar os ingredientes poderiam ser de melhor qualidade e quantidade.

Este será o último aventura de 2011. Um ano bom para o Projecto. Um ano de crescimento. Para o ano estaremos ainda com mais vontade de encontrar a melhor Francesinha do país!

Boas Festas são o desejo do Projecto Francesinha para todos os nossos leitores e amigos.
Até breve !

Parâmetros lmatias rpinto hvara dalves TOTAL
Local 6 6 5 6 5.75
Molho 6 5 5 6 5.50
Batatas 9 9 8 8 8.50
Inovação 7 6 6 6 6.25
Ingredientes 5 5 4 4 4.50
Preço 5 5 5 5 5.50
PONTUAÇÃO FINAL 6.33 6.00 5.50 5.83 5.92
CUSTO TOTAL 7,8 €
Filed under: Uncategorized No Comments
12Dec/110

Caffe Luso – Moderno sem História

Noite agradável na nossa bela cidade. O Projecto Francesinha sai à rua para mais uma descoberta. Desta feita a viagem leva-nos até ao coração da cidade, a uma das praças mais emblemáticas para todos os portuenses. Falo-vos da Praça Carlos Alberto. E obviamente a visita foi ao histórico Café Luso. Um espaço remodelado, mas com bastante tradição entre as várias classes sociais portuenses. Revela-se um local de passagem obrigatória do dia e da noite portuenses, bem como dos demais turistas que todos os dias visitam a nossa querida cidade.

Estamos com menos um elemento. Estamos com a mesma determinação e vontade de provar e avaliar as melhores francesinhas do país! Será desta? Sempre que entramos num local a pergunta surge na mente de cada um. A descoberta é algo que nos move. Os vossos comentário e sugestões dão aquele 'gostinho' especial e ajudam-nos a manter a chama bem acesa.
Chegados ao local, entramos e procuramos uma mesa, virada para o ecrã. Jogam os verdes e os azuis. Somos prontamente abordados. O empregado de menu em punho faz-nos sentir em casa. Atendimento eficaz e inteligente. A condizer com a decoração e luminosidade da casa. Espaço amplo, moderno e bem iluminado. Para alguns uma casa de passagem diária quase obrigatória. As lides empresariais assim o obrigam.

Olhar de lince e escolha fácil. Francesinha com batata frita. Reparamos que existe uma 'modalidade' em que as carnes são aconchegadas em pão bijou. Optamos pelo 'normal' para manter a coerência.

Dois dedos de conversa. A sala bem composta por turistas e locais vai animando a nossa espera. Novas oportunidades de negócio são discutidas. Novas aventuras profissionais são ponderadas. 'Sempre na brecha sempre à procura.' A vida flui ao seu ritmo de cruzeiro. Cada um procura sempre melhor. Todos procuramos a melhor Francesinha do País. O golo dos verdes não entra. Mas entram em jogo umas apetitosas francesinhas. Bom aspecto. Sem ovo. Um prato bem composto. A acompanhar umas batatas fritas 'quase' palito. Finas e congeladas é o que se pode dizer.

O molho algo aguado. Parece ser de 'encomenda'. Provamos. Não compromete mas também não gera 'aquela' explosão de sabores na nossa boca. As batatas finas e sem sabor não ajudam. Partimos para o centro das atenções. Um queijo normal envolve um pão normal. Ligeiramente tostado como manda a lei. Os ingredientes estão lá todos. Mas falta algo. Falta ali algo que os una. Que lhes dê aquele toque especial. Temos o bife muito sólido. Um bife bom, alto e de qualidade. Uma linguiça. Uma salsicha fresa. Umas fatias de fiambre. Temos tudo e não temos nada. Se é que me entendem...
Estamos perante uma francesinha que podia e devia ser algo mais. Mas talvez a rotatividade dos comensais seja tanta que a rotatividade na cozinha também. A forma como fazemos as coisas. A paixão que nelas colocamos conta muito.

No fundo um local de eleição na baixa portuense merecia algo mais. Pela história, pela tradição, pelo ar moderno que agora invade cada canto deste local. Aliado ao requinte do espaço pedia-se algo mais na Francesinha. Que no fundo é a menina da cidade e de muitas casas no centro do Porto. O preço é um factor que nos dias que correm pesa na decisão e na carteira dos amantes de Francesinha.

Já lá vão 43! Um trajecto longo e saboroso. Com altos e baixos. Surpresas e desilusões. Temos pela frente muitos e muitos mais locais a visitar. Continuem a acompanhar-nos nestas aventuras gastronómicas.
Até breve !

Parâmetros dalves
rpinto
hvara
TOTAL
Local 7 7 7 7.00
Molho 6 4 5 5.00
Batatas 5 5 4 4.67
Inovação 5 5 5 5.00
Ingredientes 6 5 6 5.67
Preço 5 4 5 4.67
PONTUAÇÃO FINAL 5.67 5.00 5.33 5.33
CUSTO TOTAL 10 €
Filed under: Uncategorized No Comments
26Nov/110

Taberna Belga – O verdadeiro Outsider

Para quebrar a rotina, o Projecto Francesinha decidiu esta semana abrir a decisão da nossa próxima visita à nossa blogosfera. Cerca de 80 responderam ao nosso apelo, votando nos espaços que mais gostavam de ver visitado. Em dia de jogo, o nosso verdadeiro Francesinha Bus rumou a norte, mais concretamente à cidade dos Arcebispos: Braga recebeu-nos de braços abertos. O destino era conhecido: a muito famosa Taberna Belga vestiu-se de gala para nos receber.

Era um dia de frio. Um dos muitos que temos sido brindados recentemente. A dificuldade de estacionar ditava uma ainda maior: a de arranjarmos uma mesa. O Porto empatava e várias pessoas perfilavam-se à volta da enorme Taberna Belga cheias de esperança....de comer uma francesinha ainda nesse dia. É sabido que o Projecto não aprecia esperas de larga espera mas para sorte da noite, entrámos sem grandes demoras. Pedimos a francesinha especial da ordem, com batata e ovo. E aguardámos. As diferentes salas deixavam antever um ambiente mais que caseiro e a interacção com os empregados era rápida, simpática e eficiente. O Porto marcara, a cerveja escorregava e os braços estavam no ar: tudo parecia mais fácil.Entre dois dedos de conversa e muita ansiedade, vimos passar por nós a sublime princesa: aspecto suculento, voava como um boeing trans-atlântico...cheia de velocidade para outra mesa. Do nada, bola na área, o Rodriguez mete o pé e a bola está na baliza: 4 francesinhas aterram no aeroporto do Projecto. Estes verdadeiros voos low-cost cedo se revelaram de primeira classe, apesar de não parecerem: o aspecto tosco e o molho muito alaranjado - a sugerir o abuso da mostarda como ingrediente principal - parecia encaminhar-nos para a ravina da desilusão. Contudo, o PF não se deixa cair fácil!

Na primeira garfada, a opinião não foi unânime mas à medida que íamos comendo, íamos gostando cada vez mais. É daquelas francesinhas que parece grandes no prato, que enchem o estômago sem nos deixar com a sensação de enfartamento que muitas francesinhas nos deixam. O molho era diferente do que estávamos habituados: sabores fortes de um picante diferente que sem sabermos identificar, habituamos a gostar pela facilidade com que envolve a francesinha. O pão, não muito tostado, acompanhava as inovações no molho que, pela primeira vez em muitas sessões do PF, aprovávamos!

No interior, a falta de salsicha fresca e linguiça era compensada pela presença de chouriço saloio e outras variantes de fiambre. Será isto uma francesinha? A nossa resposta era sim! O queijo de boa qualidade e o bife de topo não deixavam enganar. A casa era acolhedora e o preço era convidativo (cerca de 8 euros). Apesar das falhas em relação à tradição, o PF aprovou com distinção esta nova forma de fazer a francesinha: low-cost, confortável e saborosa, a Taberna Belga é um verdadeiro outsider que entra directo no nosso top 10. Recomendamos a todos aqueles que, na zona norte, queiram provar algo diferente. Um abraço e até já a todos os amantes de Francesinha.

Parâmetros lmatias rpinto hvara dalves TOTAL
Local 6 7 6 7 6.50
Molho 8 7 7 7 7.25
Batatas 6 6 6 5 6.00
Inovação 9 8 8 7 8.00
Ingredientes 6 5 5 5 5.25
Preço 8 7 7 7 7.25
PONTUAÇÃO FINAL 7.17 6.67 6.50 6.50 6.71
CUSTO TOTAL 8,03 €
Filed under: Uncategorized No Comments
10Nov/110

Bonanza – Canto Saboroso de História

Caros amantes de Francesinha, o Projecto de todos vós está de volta. Tínhamos em mente uma viagem para fora do Porto. O tempo invernal rapidamente mudou as nossas ideias. Vários acidentes nas vias principais em redor do Porto. Um verdadeiro caos no trânsito portuense. Para jogar pelo seguro optamos por ficar por cá. São colocadas as opções em cima da mesa. Tomamos o rumo da Avenida Fernão Magalhães. A chuva, o vento e o frio chegaram para ficar. Verdade seja dita, já era altura.

Poucos minutos estamos à porta de uma das casas mais antigas da cidade do Porto. Findavam os anos 60 quando foi fundado o Café, Snack-Bar e Restaurante Bonanza. Casa típica do nosso querido Porto. Com uma história que se confunde com a história da cidade. Casa que evoluiu com o tempo e se adaptou as novas rotinas dos portuenses. À porta apresenta-se uma entrada colorida por um generoso reclamo luminoso.

Efectuamos inversão da marcha, bem ao estilo 'tuga'. Estacionamos o carro um metros mais à frente. Vamos fugindo das gotas que o céu nos vai atirando. Chegamos. Entramos e gostamos do que vemos. Somos abordados por um empregado que nos encaminha para a mesa. Aqui a arte de bem servir é levada a sério. Rigor, experiência e dedicação são factores de selecção dos novos colaboradores, não haja dúvidas.

Pedimos uns petiscos para ir 'picando' enquanto vamos olhando o menu. 'Francesinha nº 25' e 'Francesinha - A Primitiva' surgem no menu entre outras opções. Ficamos curiosos. Optamos por uma escolha coerente: Francesinha especial com ovo e batata frita. Os petiscos evaporam-se. Somos esclarecidos pelo empregado 'a nº 25' é uma Francesinha com gambas e mais umas coisas. A 'primitiva' é amanhada com 'pão bijou'. Passamos. Continuamos com a nossa escolha.

Olhando em volta, temos uma decoração sóbria. O negócio evoluiu mas a decoração manteve-se clássica, com um toque dos anos 70. Um espaço confortável que têm agradado as várias gerações de clientes que por lá vão saboreando pratos de excelência. De referir que esta casa tradicional tem entregas de refeições ao domicílio. Algo que estamos habituados a ver em grandes cadeias de fast-food. Uma ideia com classe, levar até nossa casa refeições de qualidade. Quem sabe uma noite o Projecto não fica em casa e saboreia a sua Francesinha no aconchego do lar ? Podiamos, mas não era a mesma coisa :). Somos malta do terreno. Somos exploradores.

Ei-las! Bom aspecto. A acompanhar umas batatinhas fritas. Saltaram do congelador, ponto negativo. Com sal q.b. e um aspecto moreno. Avançamos para as meninas da noite. Um ovo generoso no topo. O pão ligeiramente tostado. Estamos perante um Francesinha de qualidade. Molho picante, como deve ser. Agradando a todos ou não, é um molho tradicional. Espessura e textura à antiga...(se bem que um pouco de inovação neste ponto não faria nada mal à sua saúde...) envolvendo de uma forma consistente todo aquele paralelepípedo amarelo.

No interior temos tudo a que temos direito. Em quantidade e em qualidade. Um bife tenro e bem confeccionado. Os enchidos estão presentes bem no interior. Conferem ao recheio um sabor picante e bem temperado. De facto uma Francesinha de qualidade. Não poderíamos esperar outra coisa de uma casa tão respeitada pelos portuenses.

Ambiente seleccionado num local com atendimento superior. A Francesinha acompanha toda esta classe e coloca-se firmemente nos 15 primeiros lugares do nosso top. Enquanto o IVA não sobe lá nos vamos dando a estes pequenos grandes luxos. As descobertas continuam e não ficam por aqui. Até breve!

Parâmetros lmatias rpinto hvara dalves TOTAL
Local 7 7 7 7 7.00
Molho 6 4 6 4 5.00
Batatas 8 7 5 7 6.75
Inovação 5 5 6 6 5.50
Ingredientes 9 8 8 8 8.25
Preço 7 7 6 7 6.75
PONTUAÇÃO FINAL 7.00 6.33 6.33 6.50 6.54
CUSTO TOTAL 8,60 €
Filed under: Uncategorized No Comments
26Oct/110

Golfinho – O sabor da Invicta

Fizemos contas ao nosso orçamento. Sabiam que desde que começou o Projecto, cada um dos autores gastou mais de 500 euros em francesinhas? Pois é...é este o valor do nosso amor a esta maravilha da gastronomia...e tal como o défice, é garantido que vai continuar a aumentar...façam os cortes que fizerem! Ainda esta semana contribuímos para este "monstro", não fosse o ministro das Finanças aumentar ainda mais o IVA deste manjar dos deuses...e dos nortenhos! Desta feita, decidimos atacar o problema de frente: fomos a uma das mais reconhecidas casas de francesinhas do porto: A Casa de Pasto Golfinho, nas traseiras da Rua José Falcão.

É evidente que as nossas salivas gustativas já palpitavam na nossa boca..."Será que é desta?" pensávamos nós...não sabíamos...mas estávamos ansiosos. Fomos só três...mas já éramos muitos...a crise na restauração já chegou a estes lados e só tinham uma das 5 mesas ocupadas. Não nos assustámos e após tocar à porta (sim, ela não está aberta), lá nos deixaram entrar e convidaram-nos a sentar. O ar típico de tasco e o ambiente tosco não deixavam antever o que viria para o nosso prato. O menu, em inglês, já nos dizia muito sobre aquele espaço: muito procurado pelos turistas e orgulha-se de ter a francesinha como especialidade de décadas.

Após folhearmos o menu apenas para saciação do nosso apetite por curiosidades, pedimos o óbvio: 3 francesinhas especiais com batata e ovo. Surpreendidos? Esperamos que não...sem entradas ou pãozinho para degustar antes (não fossemos ficar cheios antes do main show) demos dois dedos de conversa e abrimos ainda mais o fosso colossal das nossas contas...gastronómicas. É que a fome, como a Troika, é negra! Entre cortes para ali e viagens para acolá (Moscovo e Nova Iorque foi os destinos sobre os quais...sonhámos), eis que termina na nossa estação o comboio mais esperado: três carruagens de luxo traziam tudo o que queríamos: três malgas com francesinhas dentro.

De aspecto refundido e ar de poucos amigos, esta francesinha de tasco parecia à distância ser mais uma daquelas baratas e sem grande história para contar: pura ilusão. À primeira garfada, percebemos que não é por acaso que já foi visitada por pessoas de diferentes proveniências: aqui, a qualidade é real e vale a pena esperarmos por isso. O pão estava no ponto...o queijo não era top mas a forma como envolvia o pão fez a viagem valer a pena. O bife não era de primeira...mas a qualidade das carnes de porco e a forma como foram confeccionadas conferiam-lhe um sabor único. As batatas, cortadas à mão e feitas na hora, davam aquele aspecto caseiro que nos faz sentir...em casa! O sabor da invicta chegou e disse: presente!

O ovo estrelado não era de aviário e a francesinha não era enfarta burros. Comia-se...era uma refeição equilibrada. Se é que há francesinhas assim...e nesse momento, o tasco transportou-nos no tempo...por poucos instantes. Os três terminámos a francesinha satisfeitos com um único senão: o molho. Apesar de estarmos convencidos que se faz ali melhor, a dose industrial de picante (piri-piri ou outro ingrediente qualquer que nos escusamos a identificar) faziam com que existisse a necessidade de pedir, pelo menos, 2 finos...ou mais, para os mais sedentos de refrescos. O preço (7,65 eur.) condiz com a qualidade do serviço e não fosse pelas 5 mesas e pelo aspecto verdadeiramente pitoresco, estamos certos que o Golfinho voaria mais alto...ainda assim, recomendamos vivamente a visita. Um abraço a todos os amantes da francesinha e até já! Blog do Golfinho

Parâmetros lmatias
rpinto
hvara
TOTAL
Local 6 6 6 6.00
Molho 6 4 6 5.33
Batatas 7 6 7 6.67
Inovação 6 5 5 5.33
Ingredientes 8 8 8 8.00
Preço 8 8 8 8.00
PONTUAÇÃO FINAL 6.83 6.17 6.67 6.56
CUSTO TOTAL 7.65 €
Filed under: Uncategorized No Comments
13Oct/110

Lanchonete Brasil – Samba sem jeito

Caros amantes de Francesinhas, estamos de volta. A mesma atitude a mesma vontade. Hoje decidimos rumar ao Porto profundo, por onde rolam os patins mais competentes desde país. Porque esta vida não é só futebol. Falamos claro está de Fânzeres,Gondomar. O eleito foi o muito falado 'Lanchonete Brasil'.

Equipa reunida e a viagem começa. Em poucos minutos estamos no local. Perto e bom caminho. A paisagem surge cinzenta, com prédios do tipo colmeia que invadem o horizonte. Nada que qualquer cidade cosmopolita não tenha nos seus arredores.

Uma porta de ferro pesada surge bem na entrada no espaço. Qual sala forte onde estarão escondidas as melhores Francesinhas deste país. Entramos uma sala quase vazia. Apenas uma mesa com dois comensais que se deliciam. Olhamos a televisão, joga Portugal. Cada um orienta o seu espaço na mesa como pode. Salta o menu para a mesa e não há que enganar. Existe uma e uma só opção.

Sem pestanejar arriscamos tudo. Pedimos também uma travessa de batata (paga à parte, claro).

Olhos colados no pequeno ecrã. Todos aguardamos uma reviravolta épica do estilo do ano 2000. Saudade, bons velhos tempos. Sem mais demoras vamos ao que interessa. Efectuamos o pedido. Desta forma fazemos levantar as senhoras da cozinha, até então estavam sentadas a aguardar algum movimento na sala. Aguardamos breves minutos.

Chega à mesa um quadrado amarelo, meio tosco. Num prato de sobremesa apoiado num prato de sopa. Um molho bastante escuro e bastante líquido. Ficamos apreensivos à primeira vista. Mas nunca nos iludimos com o primeiro encontro. Para o bem ou para o mal gostamos de saborear primeiro. Avançamos, o golo da Selecção parece trazer um bom presságio. Talvez não, a Selecção acaba por perder e a Francesinha acaba por desiludir bastante. Menos mal, os paltipes de alguns são cumpridos. Aí vamos nós para o mata-mata.

A francesinha era muito forte no bife. Na qualidade e quantidade. Tão forte que nem se encontrava mais nenhum ingrediente no interior da Francesinha. Com muito custo encontramos umas finas fatias de salsicha fresca de qualidade inferior. Tinha também umas fatias do chamado fiambrino. Estes ingredientes estavam envolvidos por um pão normal, não tostado. Por um queijo banal que não acrescenta valor nenhum à Francesinha. No geral o que mais nos agradou foram mesmo os bifes, que apesar de aparecerem em vários pedaços, eram saborosos e de qualidade.

O molho. Muito diferente do que estamos habituados, sem dúvida. Um sabor muito esquisito, alguém até comentou que tinha um sabor intenso a vinho. A cor quase 'negra', com um intenso picante que permanecia no palato durante largos minutos.

Esperavamos um sambinha de qualidade mas saiu na rifa um lento e sem jeito. No fundo uma Francesinha sem história. Foi um dia quase perfeito. A lua estava quase cheia. A Selecção quase ganhou. A Francesinha era quase boa. O preço da mesma também não ajuda. Pelo preço, a qualidade dos ingredientes poderia ser bem melhor. Desta forma, o Lanchonete Brasil não é um espaço por nós recomendado para degustar a mais que tudo. E isso diz muito. Até à próxima.

Parâmetros lmatias rpinto hvara dalves TOTAL
Local 6 6 6 6 6.00
Molho 3 3 3 3 3.00
Batatas 6 6 6 6 6.00
Inovação 5 5 4 4 4.5
Ingredientes 6 6 6 6 6.00
Preço 4 5 4 4 4.25
PONTUAÇÃO FINAL 5.00 5.17 4.83 4.83 4.96
CUSTO TOTAL 8,90 €
Filed under: Uncategorized No Comments
30Sep/110

Restaurante Convivio – Charme, Exigência e Carteira Recheada

Há coisas que mudam. O tempo, as vontades, as paisagens, as pessoas. Outras não. Uma das coisas que tem mudado é o poder de compra dos portugueses...para pior. A qualidade das nossas empresas...para pior. O número de desempregados...para maior. A nossa vontade de comer francesinhas...está na mesma! E foi numa tarde de verdadeiro Outono que o Projecto não resistiu a mais uma chamada e reuniu-se para cumprir o já épico objectivo: descobrir qual é, de facto, a melhor francesinha do país.

Depois de algumas incursões pela zona Norte, decidimo-nos ficar pelo nosso Porto e visitar mais um espaço emblemático da Francesinha no coração da cidade invicta: o Restaurante Convívio. Aqui, tal como no nosso apetite, nada mudou: aquele ar requintado de metais dourados e de mesas que parecem ter uma vida infinita, juntamente com aqueles balcões de bar longos e a "piscina" de crustáceos fazem deste espaço o lugar para quem procura um restaurante com charme e tradição. Os empregados, de laço e camisa branca rapidamente encaminham-nos à chegada para uma mesa com vista para o aquário onde as lagostas dão o último sinal de vida. Na televisão, o Otelul Galati - clube romeno que defrontava o SLBenfica para a Liga dos Campeões - fazia mais ou menos o mesmo.

Sem pedirmos, eis que surge na mesa umas entradas chorudas com bola de carne e croquetas de carne de comer e chorar por mais. Nisto, o funcionário troca a temperatura de um Ice Tea...um pedido foi fresco e este veio natural. Ao aperceber-se do problema (mesmo antes de servir), o mesmo desdobrou-se em mil desculpas. A sua preocupação com os pormenores foi por nós valorizada...Exigência é uma caraterística desta casa.

Os queijos e as tostas também faziam parte do menu e depois de uma rápida consulta da lista, decidimo-nos pela francesinha com bife. Para nosso espanto, não havia nesta casa essas "invenções" de francesinha especial pelo que o ovo encavalitado e a batata foram colocados (e pagos) à parte. Após alguma discussão sobre temas do dia, como o aumento do IVA e do desemprego, assim como do estado da dívida Grega, as francesinhas chegam como pano de fundo. Uma adição natural a um jantar de amigos que já não se viam há 15 dias. E assim elas cumprem mais uma vez o seu importante papel.

O molho, de tom esbatido e ás pintinhas, deixou a desejar logo na primeira garfada. Muito sem saboroso, com tudo algo misturado sem grande saber ou cuidado...quer-nos parecer. A Francesinha, apesar do seu aspecto de tamanho reduzido, era consistente e rica em carnes, pão e queijo de alta qualidade. As batatas caseiras estavam um snack agradável mas pouco mais do que isso: pareceu-nos que não foram fritas de forma muito fresca e isso, como sabem, faz toda a diferença.

De Manchester, vinha a notícia que o United local perdia...lá se ia a margem dos apostadores. 2500 kms a sul, no Convívio, íamos degustando a francesinha que rapidamente desaparecera dos nossos pratos...sem que tenha vindo molho extra para a mesa. No final, sem sobremesa, pagamos mais de 15 euros (11,20 pela francesinha)...o que significa que este restaurante não é, realmente, para qualquer bolsa....ideal para quem aprecia o Charme e Exigência num restaurante mas só acessível a quem tenha a Carteira Recheada, o Convívio é uma opção interessante pelas entradas e pelo horário que disponibiliza. A francesinha tem qualidade, não tem molho...mas parece-nos, sobretudo, demasiado dispendiosa para um "prato do povo". Fica mais uma opinião do Projecto em mais uma etapa da nossa longa viagem. Um abraço para todos vós que nos seguem e para o Manchester, que ao cair do pano, ainda empatou o jogo 🙂

Parâmetros lmatias
rpinto
hvara
dalves TOTAL
Local 7 7 7 7 7.00
Molho 5 5 5 5 5.00
Batatas 6 6 6 6 6.00
Inovação 7 6 6 6 6.25
Ingredientes 8 7 8 7 7.50
Preço 5 5 5 5 5.00
PONTUAÇÃO FINAL 6.33 6.00 6.17 6.00 6.13
CUSTO TOTAL 11.2 €
Filed under: Uncategorized No Comments