Projecto Francesinha Um Projecto de bem comer a norte

30Sep/110

Restaurante Convivio – Charme, Exigência e Carteira Recheada

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Há coisas que mudam. O tempo, as vontades, as paisagens, as pessoas. Outras não. Uma das coisas que tem mudado é o poder de compra dos portugueses...para pior. A qualidade das nossas empresas...para pior. O número de desempregados...para maior. A nossa vontade de comer francesinhas...está na mesma! E foi numa tarde de verdadeiro Outono que o Projecto não resistiu a mais uma chamada e reuniu-se para cumprir o já épico objectivo: descobrir qual é, de facto, a melhor francesinha do país.

Depois de algumas incursões pela zona Norte, decidimo-nos ficar pelo nosso Porto e visitar mais um espaço emblemático da Francesinha no coração da cidade invicta: o Restaurante Convívio. Aqui, tal como no nosso apetite, nada mudou: aquele ar requintado de metais dourados e de mesas que parecem ter uma vida infinita, juntamente com aqueles balcões de bar longos e a "piscina" de crustáceos fazem deste espaço o lugar para quem procura um restaurante com charme e tradição. Os empregados, de laço e camisa branca rapidamente encaminham-nos à chegada para uma mesa com vista para o aquário onde as lagostas dão o último sinal de vida. Na televisão, o Otelul Galati - clube romeno que defrontava o SLBenfica para a Liga dos Campeões - fazia mais ou menos o mesmo.

Sem pedirmos, eis que surge na mesa umas entradas chorudas com bola de carne e croquetas de carne de comer e chorar por mais. Nisto, o funcionário troca a temperatura de um Ice Tea...um pedido foi fresco e este veio natural. Ao aperceber-se do problema (mesmo antes de servir), o mesmo desdobrou-se em mil desculpas. A sua preocupação com os pormenores foi por nós valorizada...Exigência é uma caraterística desta casa.

Os queijos e as tostas também faziam parte do menu e depois de uma rápida consulta da lista, decidimo-nos pela francesinha com bife. Para nosso espanto, não havia nesta casa essas "invenções" de francesinha especial pelo que o ovo encavalitado e a batata foram colocados (e pagos) à parte. Após alguma discussão sobre temas do dia, como o aumento do IVA e do desemprego, assim como do estado da dívida Grega, as francesinhas chegam como pano de fundo. Uma adição natural a um jantar de amigos que já não se viam há 15 dias. E assim elas cumprem mais uma vez o seu importante papel.

O molho, de tom esbatido e ás pintinhas, deixou a desejar logo na primeira garfada. Muito sem saboroso, com tudo algo misturado sem grande saber ou cuidado...quer-nos parecer. A Francesinha, apesar do seu aspecto de tamanho reduzido, era consistente e rica em carnes, pão e queijo de alta qualidade. As batatas caseiras estavam um snack agradável mas pouco mais do que isso: pareceu-nos que não foram fritas de forma muito fresca e isso, como sabem, faz toda a diferença.

De Manchester, vinha a notícia que o United local perdia...lá se ia a margem dos apostadores. 2500 kms a sul, no Convívio, íamos degustando a francesinha que rapidamente desaparecera dos nossos pratos...sem que tenha vindo molho extra para a mesa. No final, sem sobremesa, pagamos mais de 15 euros (11,20 pela francesinha)...o que significa que este restaurante não é, realmente, para qualquer bolsa....ideal para quem aprecia o Charme e Exigência num restaurante mas só acessível a quem tenha a Carteira Recheada, o Convívio é uma opção interessante pelas entradas e pelo horário que disponibiliza. A francesinha tem qualidade, não tem molho...mas parece-nos, sobretudo, demasiado dispendiosa para um "prato do povo". Fica mais uma opinião do Projecto em mais uma etapa da nossa longa viagem. Um abraço para todos vós que nos seguem e para o Manchester, que ao cair do pano, ainda empatou o jogo :)

Parâmetros lmatias
rpinto
hvara
dalves TOTAL
Local 7 7 7 7 7.00
Molho 5 5 5 5 5.00
Batatas 6 6 6 6 6.00
Inovação 7 6 6 6 6.25
Ingredientes 8 7 8 7 7.50
Preço 5 5 5 5 5.00
PONTUAÇÃO FINAL 6.33 6.00 6.17 6.00 6.13
CUSTO TOTAL 11.2 €
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21Sep/113

Cafe Lali – Francesinha Rustica

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Mais uma noite de Verão nesta cidade que encanta todas as almas que por cá passam. Uma noite iluminada quase por completo por uma rodela quase completa do nosso satélite natural. Condições ideais para mais uma descoberta do Projecto Francesinha. Desta feita os quatro elementos estão motivados para uma aventura na outra margem do Rio Douro. O destino leva-nos até à zona da Madalena. Local de praias, esplanadas e cafés bem tradicionais. O destino já estava escolhido. O Café Snack-bar Lali muito comentado pelos apreciadores de Francesinha. Como tal o Projecto não poderia passar ao lado deste local.

O trajecto estava a ser calculado. Em 30 segundos estamos prontos a partir. Depois de passar a ponte a aventura rodoviária começa de verdade. Um infindável emaranhado de ruas, travessas e vielas surge no nosso caminho. Nada que atormente ou desconcentre o nosso ajudante electrónico de navegação. Chegamos a uma rua estreita e repleta de carros estacionados.
De fora um Café simples e com aspecto familiar. Uma esplanada para aproveitar os dias solarengos de Setembro. Entramos, o aspecto interior condiz com o exterior. Rapidamente nos perguntam se estamos ali para 'as Francesinhas'. Respondemos positivamente. Assim sendo, somos encaminhados para uma sala na parte de trás da casa. Uma sala acolhedora, com decoração rústica. Olhamos em volta e reparamos que existe um forno que esta a ser aquecido.
Sem menu e sem rodeios é-nos perguntado se queremos Francesinha. Estamos lá para isso. Pedimos Francesinha com batata e ovo. Vamos pondo a conversa em dia e reparamos que surgem mais alguns comensais para outra mesa. Até então estavamos sozinhos na sala. A conversa continua, vamos trocando impressões sobre a vida, os dias passados e quais serão os próximos passos deste Projecto.
De notar um atendimento preocupado e atento. Nitidamente um espaço familiar com o saber de servir passado de geração em geração. O Projecto Francesinha gosta disto.
Da mesa temos a percepção que as amarelinhas saltam para o forno a lenha em pratos de barro. Estão quase prontas.
Chega à mesa uma travessa de batatas com muito boa cor. Apesar de congelada tinha um sabor agradável e com o nível de sal no ponto. Pareciam poucas. Mas como já referido, o atendimento é atento e trouxe outra travessa. Chegam elas, bem quentes e com muito bom aspecto. Não muito grandes, na medida ideal.


Primeira nota: pouco molho a embeber a Francesinha. O calor emanado é intenso, os pratos de barro podem queimar os mais distraídos. É iniciado o deleite. Atentos notamos que o pão demasiado mole não 'combina' com a qualidade do queijo. Queijo este de sabor suave e derretido no ponto. Ligeiramente queimado, ideal na nossa opinião. Avançamos para o recheio. Temos tudo e de boa qualidade. Na quantidade certa. Um bife bem temperado e de textura suave. Pedia-se apenas um bife um pouco mais alto.

O molho era nitidamente caseiro. Picante quanto baste e textura bastante agradável. Consistente e de cor apelativa. Claramente surpreendeu.
As expectativas foram superadas, mais um bom local para degustar uma boa Francesinha. Vale a visita para os mais curiosos, para os que se dedicam de estômago e paladar a este prato tão saboroso. Mesmo não estando entre as maravilhas deste Portugal a Francesinha é bem reconhecida e carinhosamente concebida pelos Portuenses. Até breve. Obrigado pelos comentários e sugestões, e para os mais desatentos já somos mais de 2500 no Facebook!

Parâmetros lmatias
rpinto
hvara
dalves TOTAL
Local 7 7 7 6 6.75
Molho 6 5 5 6 5.5
Batatas 7 7 6 7 6.75
Inovação 6 6 6 6 6
Ingredientes 7 7 7 7 7
Preço 7 8 7 8 7.5
PONTUAÇÃO FINAL 6.67 6.67 6.33 6.67 6.58
CUSTO TOTAL 7.0 €
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2Sep/116

Verso em Pedra – Poesia de Pouca Dura

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Final de Agosto. Mês tradicional de férias e de emigrantes em Portugal. A alegria contagia as pequenas aldeias e vilas, que ganham vida numa sazonalidade rara em poucos locais no mundo. E é neste cenário idílico que o Projecto Francesinha resolve abraçar mais uma etapa no seu duro desafio: descobrir a melhor Francesinha do País. Desta feita, resolvemos ficar na nossa cidade Natal e com uma chuva nada tradicional, resolvemos disfrutar de um passeio à beira rio na fantástica marginal do Porto antes de ir degustar mais uma das verdadeiras. O alvo, esse já estava escolhido há muito tempo: o famoso restaurante Verso Em Pedra.

De decoração pitoresca...rústica até e paisagem deslumbrante, o Verso em Pedra é um restaurante conhecido pelas suas francesinhas e pelo belíssimo cenário envolvente: a Alfândega do Porto e o Rio Douro. Quando entrados no Restaurante, fomos deparados com um menu muito variado com cerca de uma dezena de tipos diferentes de francesinha. O Projecto não está habituado a estas modernices, pelo que teve dificuldades em efectuar o seu pedido. A televisão passava clips dos anos 80 na VH1 e por entre conversas sobre cidades Búlgaras e oportunidades de emprego um pouco por todo o mundo, resolvemos não arriscar e escolher a francesinha especial. Existia também a possibilidade da francesinha clássica que, pensámos nós, seria de lombo...puro engano. Não é que a francesinha clássica ali é, pasme-se, COM BIFE DE VACA!?? Mas já lá vamos... uma das curiosidades deste estabelecimento é o tamanho das suas francesinhas. Todas são generosamente grandes, sendo que existe uma apelidada de Mega Francesinha e com 35 euros de preço. Os donos dizem oferecer a francesinha e uma guitarra a quem conseguir comer por inteiro, sem qualquer tipo de ajuda. Épico, não?


É, para nosso espanto, as francesinhas que nos colocam à nossa frente eram de lombo assado. Após questão, informam-nos que a francesinha clássica é com bife de vaca. Estamos sempre a aprender...pontos negativos. O molho, alaranjado e pastoso, fazia-nos lembrar no aspecto outras combinações infelizes que já tínhamos provado anteriormente. As batatas não eram congeladas mas o seu ar pastilento fez com que ficassem 70% no prato. Será que a francesinha poderia ser boa? Por mais que pareça que não, os ingredientes tinham uma qualidade interessante...ainda que a confecção apresentasse sinais de pura maquinação do processo. O pão, por exemplo, não estava minimamente tostado. E o molho, tal como o aspecto previra, não era brilhante...ainda que não ficasse assim tão mal ali.

Em suma, a francesinha era grande e mediana, com um queijo interessante e...é só. Fim de história. O espaço, esse, é fantástico e o desafio uma curiosidade diferente do resto. Para quem goste de experimentar aquele tipo de francesinhas diferentes do habitual e quem ligue ao espaço, deve experimentar o Verso em Pedra....sempre ciente que existe melhor. O preço, 10,50 eur., não reflecte também o valor da oferta num teste que o restaurante, claramente, não passou. Ainda não foi desta que encontrámos a melhor francesinha do país. Um abraço a todos vós e continuação de boas férias se for caso disso. O Projecto voltará em breve com mais uma aventura!

Parâmetros lmatias
rpinto
hvara
dalves TOTAL
Local 8 8 7 7 7.50
Molho 6 5 5 5 5.25
Batatas 6 6 5 5 5.50
Inovação 6 7 5 6 6.00
Ingredientes 5 5 5 5 5.00
Preço 5 5 5 5 5.00
PONTUAÇÃO FINAL 6.00 6.00 5.33 5.50 5.71
CUSTO TOTAL 10.5 €
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