Projecto Francesinha Um Projecto de bem comer a norte

24Nov/1030

Afinal fomos ao Yuko

A noite escureceu a cidade e as folhas, já caídas e bem escurecidas indicam um Outono amargo, daqueles em que apetece passear sem sair do carro. Às 21:00 quatro amigos encontram-se e está criado o cenário ideal para mais uma noite do Projecto Francesinha! Após a histórica entrevista à rádio TSF, o safari das Francesinhas continua e, tal como anunciáramos a semana passada, dirigimo-nos à famosa terra dada pelo nome de Ermesinde! Lá, segundo rezam vários entendidos, jaz um espaço que prima pela elevada fama e qualidade das suas francesinhas: o Café Torres, junto à estação. Acontece que, às Terças-Feiras encontra-se fechado e demos um pouco com o nariz na porta. Nada que nos esmoreça, pois após rápida reunião, chegámos a um consenso e refugiámo-nos no não menos famoso Restaurante Yuko, em Costa Cabral.

Decoração no YukoEste é um restaurante pequeno de comida tradicional portuguesa, embora não estejamos a falar propriamente dum tasco: a apresentação do espaço e dos seus funcionários bem como o preço do menu indicam um charme muito particular que, de facto, se verifica. Naturalmente que o menu tem sempre um defeito, pois nós escolhemos sempre as mesmas coisas: Francesinha Especial com batata e ovo. Mas antes que nos apercebêssemos, já estávamos a degustar umas fantásticas moelas com pão de cereais acompanhado duma sempre fantástica Super Bock que auspiciou uma noite bem mais histórica do que a que se verificou.

Esperámos cerca de 30-35 minutos pelas francesinhas. Aí, já o funcionário se tinha equivocado no sabor de uma das bebidas e no levantamento do cesto de pão por acabar 20 minutos antes de sermos servidos. Viria mais tarde a enganar-se em vários outros pedidos, bem como na conta. Mas por esta altura a francesinha ainda podia salvar muita coisa...podia, mas não salvou.

Yuko - EntradaChegada à mesa, verificámos que o seu aspecto era bastante pomposo. Vinha com algum molho, não muito mas acompanhado por uma tradicional molheira portuguesa que, bem vistas as coisas, foi muito útil. O pão era alto, muito alto, quase infinito de tão alto...o queijo era bastante razoável, diríamos acima da média até. Os ingridientes eram demasiado vulgares para ser referidos num blog deste tipo: um bife baixo, que às vezes parecia lombo de baixa qualidade cortado numa máquina de cortar queijo...era fina aquela fatia. A salsicha, uma salsicha vulgar daquelas que temos na prateleira para desenrascar aquele dia que chegamos mais tarde a casa. O ovo não pareceu brilhante e as batatas fritas, apesar de não serem congeladas, eram bastante fracas. Diria mesmo desinteressantes pois, apesar de a quantidade que veio para a mesa ter sido para 1 ou 2 pessoas, o prato não chegou sequer ao fim.

Temos que falar do que falta: o molho. Ora, a fama deste lugar tinha que se justificar por alguma coisa. E o molho é, provavelmente, um dos melhores senão o melhor que experimentámos aqui no Projecto: consistente, picante q.b., muda completamente a cara duma "francesinha de esquina" como, infelizmente, são os ingredientes que compõe a francesinha do Yuko. O molho é de outra galáxia e o seu segredo é ouro: prova perfeitamente que o molho é um ponto chave deste prato.

Infelizmente para o Yuko, o Projecto Francesinha tem os sentidos apurados e tem que se pronunciar sobre todos os aspectos. E a maior parte são francamente medíocres. No preço, também vão ter uma surpresa desagradável: 10,2 euros por uma francesinha especial é um preço que o projecto só tinha encontrado até hoje no Capa Negra II. E o Yuko, apesar de muito bonito, não justifica nem de perto esse preço...nem a visita. A menos que procurem uma boa Petisqueira, devem deixar o Yuko mesmo...na prateleira. Fica a reportagem e um muito obrigado a todos aqueles que nos incentivam e acompanham. Até à próxima.

Parâmetros lmatias
rpinto
hvara
dalves TOTAL
Local 7 8 8 7 7.50
Molho 9 9 9 9 9.00
Batatas 5 5 4 4 4.50
Inovação 6 4 5 5 5.00
Ingredientes 4 4 4 4 4.00
Preço 5 4 4 5 4.50
PONTUAÇÃO FINAL 6.00 5.67 5.67 5.67 5.75
CUSTO TOTAL 10.2 €
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19Nov/102

Circuito Pedonal da Francesinha: Uma viagem a História

No Circuito Pedonal da Francesinha promovido pela Casa do Infante, o destaque foi dado à história do dito e famoso petisco nortenho de origem na nossa cidade do Porto. Como apreciadores por excelência do petisco, o ProjectoFrancesinha não faltou à chamada e fez questão de estar presente. As duas primeiras etapas centraram-se na história da Francesinha que o Projecto reproduz agora tão fielmente quanto possível. Em França, por volta dos anos 50 e em pleno Estado Novo em Portugal, eis que um emigrante estava a dar cartas na restauração local.

Esse emigrante, nascido em Terras do Bouro, Braga, em pleno parque Natural do Gerês, chamava-se Daniel David da Silva e confeccionava uns pratos muito famosos à época na cozinha francesa: o croque monsieur e o croque madame. Estes lanches não eram mais do que meras tostas mistas cobertas com salsicha, queijo e ovo, dependendo da respectiva versão. Num cruzamento com outro lanche famoso à época, este inglês, o Welsh Rarebit deverá ter nascido aquilo que conhecemos hoje como Francesinha pois foi este emigrante que, depois de regressado ao Porto e a Portugal para dirigir o Restaurante Regaleira, inventou tal prato que à data se servia como lanche ou como jantar atrasado, depois do cinema e só para homens, pois era pesado, de alguma rudeza e puxava à cerveja (já na altura). Ainda hoje, o Restaurante Regaleira se mantém no espaço original a servir os mesmos pitéus.

A disseminação da receita da Francesinha deu-se quando A Regaleira deixou que um dos seus empregados tivesse saído para o saudoso Café Mocaba, em Vila Nova de Gaia, entretanto encerrado. A Francesinha ficou com este nome em homenagem às mulheres francesas: Daniel David da Silva tinha a fama de mulherengo e queixava-se que as mulheres no Porto eram muito fechadas e retrógadas em relação às europeias da época e não se cansava de dizer que a mulher mais picante era a francesa...picante, como a sandes que inventara. Daí o nome carinhoso de Francesinha :)

Depois de uma passagem pelo Cabaz do Infante, uma loja de comércio tradicional onde é possível comprar, a retalho, todos os ingredientes necessários à confecção duma boa francesinha, o ProjectoFrancesinha foi convidado a falar um pouco daquilo que entende como boa francesinha bem como a revelar alguns dos melhores espaços do Porto para provar esta iguaria à TSF. (Ouçam a reportagem AQUI!)

Para finalizar o percurso, foi efectuada uma visita à Brasserie Irene Jardim e ao Café Universidade, onde os participantes eram convidados a escutar atentamente a receita e os segredos para uma boa francesinha enquanto a deleitavam por uns módicos 5 euros, com oferta de uma bebida. O ProjectoFrancesinha quer agradecer particularmente à Graça Lacerda pela excelente condução do percurso.

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12Nov/1014

Capa Negra II – A Tradição já não é o que era

Como já anunciado esta semana optamos por um local incontornável num roteiro de Francesinhas, o Capa Negra II. Sitiado na Rua do Campo Alegre bem no centro do Porto. Numa noite fria e chuvosa ansiávamos por um manjar digno do bom nome desta casa. Por muitas descrições que se possam fazer sobre este espaço, é um espaço mítico da cidade e com boas recomendações para um belo jantar. Na hora marcada nem todos os elementos estavam no local. Este pormenor não foi impedimento para que fossem pedidas umas entradas para reconfortar o estômago. Dois dedos de conversa e a mesa esta completa, estamos prontos para solicitar a nossa refeição. Das várias opções que existiam no menu, optamos pela afanada Francesinha c/ ovo e batata frita. Alguém mais preocupado com a mente e bem estar pede uma 'sopa da casa', em relação a este assunto ficamos por aqui... Passado algum tempo, sim foi demasiado, lá chegaram as Francesinhas. Bom aspecto, a batata já no prato (não é muito do agrado geral), com molho quanto basta e um ovo muito caseiro no topo.

Capa Negra

Super BockA movimentação é constante mais de 20 empregados circulam pelas salas com pratos e afins nas mãos. Os clientes também não são de menos, entram e saem como se de uma 'cantina' se tratasse.
Dedicamos as nossas atenções para o que tínhamos à nossa frente. Bons ingredientes, na temperatura ideal e com tamanho normal. Quanto ao molho não é dos mais saborosos, demasiado líquido. A batata 'verdadeira' é um sinal muito positivo, que em muitas casas é esquecido.

Uma francesinha média, satisfatória mas não 'top'. A casa é uma referencia, mas parece que se tem dedicado mais a outro tipo de petiscos. No fundo achamos a francesinha sem muito entusiasmo, não compromete, mas também não surpreende.
Achamos o preço exagerado para a qualidade da Francesinha, mas não para a qualidade e tradição do espaço.

Parâmetros lmatias
rpinto
hvara
dalves TOTAL
Local 8 8 8 7 7.75
Molho 5 6 6 6 5.75
Batatas 7 7 7 7 7
Inovação 6 4 5 5 5
Ingredientes 8 7 7 7 7.25
Preço 5 5 4 5 4.75
PONTUAÇÃO FINAL 6.5 6.17 6.17 6.17 6.25
CUSTO TOTAL 10.2 €
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6Nov/100

Circuito Pedonal “Francesinha” 19/11

No próximo dia 19 de Novembro de 2010, pelas 15h,  a Câmara Municipal do Porto irá promover um circuito pedonal cuja temática será a história da francesinha. Poderão inscrever-se através do e-mail casadoinfante-serveducativo@cm-porto.pt e é totalmente gratuito. Para obterem mais informações podem visitar a notícias no iPorto aqui. Evidentemente, o ProjectoFrancesinha vai marcar presença e se possível, dar algum feedback a todos vós.

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3Nov/100

Especial Maior: A Francesinha com os Amigos

Depois de um pequeno interregno no mês de Outubro para poupar o fígado (e a carteira!), finalizamos em chave de ouro com a visita a uma das casas mais emblemáticas dos jantares académicos no grande Porto: A Casa Cardoso, mais conhecida como O Maior. Desde o atendimento caseiro, à decoração, passando pelo ambiente e boa disposição e finalizando na inconfundível receita, O Maior fez as delícias de vários estudantes de todas as gerações...e do que vimos, continua a fazer!

EntradasPois bem, desta feita resolvemos convidar alguns amigos do Projecto para uma verdadeira tainada cujo prato principal é o do costume mas cujo objectivo era a diversão e a boa disposição.  Ao todo, fomos 11 convivas com o objectivo  de provar o tão afamado prato. Mas antes, degustámos umas azeitonas top com uns pastelinhos de bacalhau mesmo a calhar.

O MaiorA receita, uma das melhores da cidade do Porto, veio no ponto e não houve cá medidas q.b. mas sim cheios. Depois de um longo período diz-se que quem espera, sempre alcança...e pumba, estavam as 11 tostadinhas no prato. Por esta altura, já o Benfica marcara o segundo golo da sua vitória por 2-0 ao Paços de Ferreira e já alguns davam as primeiras garfadas. Claro que é bom lembrar que o Maior não é conhecido pelas suas francesinhas de top...e isso notou-se um pouco por toda a francesinha: acaba por não ter pergaminhos de, por si só, figurar entre as melhores. Mas pelo ambiente descontraído, caseiro e acolhedor do espaço vale a pena passar por lá para comer e beber à vontade com os amigos...nem que seja uma francesinha. E é sempre bom lembrar que tudo é à descrição (por 15 euros) e que, portanto, não falta mantimentos para uma viagem que se pretende longa e pela noite dentro. E se faltar direcção, estamos sempre certos que a escadinha, bebida espiritual que é servida no final da refeição para compôr, resolverá esse problema.

Parâmetros hvara
lmatias
rpinto
dalves convidados TOTAL
Local 9 10 9 9 9 9.20
Molho 7 5 5 5 6.43 5.69
Batatas 6 7 3 7 5.29 5.66
Inovação 4 6 3 3 2.29 3.66
Ingredientes 4 5 6 4 5.57 4.91
Preço 4 5 5 6 5.14 5.03
PONTUAÇÃO FINAL 5.67 6.33 6.17 5.67 5.62 5.69
CUSTO TOTAL 15 €(*)

(*) Total e não preço por francesinha, como de costume.

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